David Teles Ferreira

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terça-feira, 20 de outubro de 2015

O corpo revolta-se



Às vezes o corpo revolta-se. Pensa por si próprio e não obedece à cabeça. Repele o que o cérebro manda atrair. E vice-versa. Dói onde não deve. Recusa doer onde está magoado. Continua em movimento quando a razão o manda parar. Imobiliza-se quando a cabeça lhe diz para avançar. Entra numa espécie de modo automático, sem controlo nem porquê. Quando damos por ela já está. Seja asneira ou acto heróico. Seja coisa certa ou errada. Estrague ou resolva a nossa vida. Fiquemos aleijados ou salvemos alguém. E depois passamos muito tempo, quando não o resto da existência, a receber os louros ou a resolver os danos. Ou, tão simplesmente, a conformar-nos com eles.

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