Ao longo da vida vamos acumulando coisas. Objectos.
Tralha. Umas herdamos. Outras compramos ou são-nos oferecidas. Algumas,
simplesmente, encontramos. Todas são valiosas, para nós, mesmo que não valham
dinheiro. São marcos da nossa vida. São elas que nos fazem sentir em casa. Que
espelham a nossa individualidade. Mas, às tantas, se não temos cuidado, podemos
começar a ficar assoberbados. Todas essas coisas podem começar a asfixiar-nos.
A aprisionar-nos. A passar de raízes que nos alimentam, a raízes que nos
prendem. E começamos a questionar-nos, então, se precisamos de tudo aquilo. Se
os nómadas, que apenas possuem aquilo que podem transportar consigo, não são
mais felizes. Se não podemos prescindir de tudo o que possuímos para além dos
objectos de uso diário. Se não temos dentro de nós tudo aquilo de que
necessitamos para sermos o que somos.
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